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Mindfulness & TDAH

Hiperatividade, impulsividade, falta de atenção. Já faz alguns anos que esses sintomas são relacionados ao TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. E se você já ouviu falar ou conhece mindfulness pode estar pensando que a prática meditativa pode ser uma saída para quem sofre com o problema, afinal, mindfulness ajuda a melhorar a atenção e a concentração.

A verdade é que, sim, mindfulness pode ser muito útil para pessoas com TDAH. Um estudo publicado no Journal of Attention Disorders avaliou a viabilidade, a aceitação do tratamento e a eficácia preliminar da prática de mindfulness. Neste caso, o estudo foi feito com adultos e a conclusão dos autores foi de que a prática é um tipo de intervenção promissora para a redução dos sintomas de TDAH.  Estudos com crianças e adolescentes apontam resultados semelhantes e importante ressaltar que não substitui tratamento e acompanhamento médico.

Além disso, para que sejam benéficas para os estudantes de todas as séries, as práticas devem ser propostas por um adulto com vivência e treinamento em mindfulness e, de preferência, com especialização em crianças e adolescentes. Afinal, se, em geral, é recomendado capacitação na área, é imprescindível ter um conhecimento específico quando se trata de TDAH.

Como funciona?

Se a relação imediata entre mindfulness e TDAH que fazemos é sobre foco e atenção, os estudos mostram que os benefícios da prática vão muito além desses aspectos. Pesquisas científicas indicam que a prática de mindfulness faz a amígdala (estrutura responsável por nossas reações emocionais) ficar menos ativada, ao mesmo tempo em que ativa mais o hipocampo e o pré-frontal (estruturas ligadas à memória e à capacidade de concentração). Com melhor regulação emocional, memória mais ativada e mais concentrado, quem sofre de TDAH consegue realizar com mais naturalidade atividades que normalmente seriam difíceis, conforme sugerem alguns estudos já realizados.

Um estudo publicado em 2012 no Journal of Child and Family Studies mostrou que crianças e adolescentes com TDAH entre 11 e 15 anos apresentaram redução na internalização e externalização de problemas em um programa de oito semanas de prática de mindfulness.

Outro estudo do mesmo ano sobre a efetividade de mindfulness, feito com crianças entre 8 e 12 anos, mostrou redução da sintomatologia de TDAH nas crianças e redução de estresse em seus pais.

As pesquisas indicam que, ao praticar mindfulness, crianças (ou adolescentes) com TDAH e seus pais apresentam melhoras em variados aspectos, com benefícios para toda a família. Para os diagnosticados com TDAH, a prática de mindfulness traz benefícios cognitivos, psicológicos e sociais, como sublinham Secanell e Nuñez, em um estudo de 2019.

Os adolescentes com TDAH praticantes de mindfulness se beneficiam da prática, pois conquistam mais foco e atenção. Com isso, suas chances de ter sucesso em alguma atividade é maior. E isso estimula a autoconfiança e ameniza as emoções intensas.

É um benefício em cadeia, que no caso dos adolescentes permite ainda a melhora de outros aspectos: perceber em quais atividades precisam de ajuda e o que poderia ajudá-los a permanecer mais tempo realizando uma só tarefa. Tendo consciência desses elementos, os adolescentes ganham autonomia para pedir ajuda naquilo que de fato precisam. Além disso, a prática os incentivará a prestar mais atenção a si mesmos, ajudando-os a compreender melhor como lidar com suas emoções, identificando-as antes que elas se tornem intensas (e mais difíceis de controlar).

Gerenciando emoções  

Ter o mindfulness como aliado para lidar com as emoções, entretanto, não significa reprimi-las. Muito ao contrário: mindfulness permite que saibamos que as emoções vêm e vão, naturalmente. E que para ter uma relação mais saudável com elas, basta que as deixemos ir, assim como podemos deixar ir os pensamentos que tiram nosso foco do que é realmente importante.

Treinar essa atitude compassiva (consigo mesmo e com os outros) é fundamental para o adolescente diagnosticado com TDAH. Ao desenvolver a compaixão consigo mesmo – ao ser gentil para trazer de volta o foco e a atenção ao que realmente importa naquele momento – ele cria um espaço para reconhecer sua autocrítica excessiva, nomear suas próprias emoções e criar estratégias para realizar aquilo que ele precisa. Afinal, o que o TDAH provoca é apenas a falta de foco. Esse “esquecimento” da concentração para realizar algumas tarefas não significa incapacidade de realizá-las. E, quando o adolescente descobre em si mesmo a capacidade de realização, isso aumenta a autoestima e diminui o medo e o estresse. Com mais autoconfiança e calma, menos ansioso e impulsivo, as chances de melhorar ainda mais seu desempenho de tarefas aumentam. E assim estabelece-se um círculo virtuoso que beneficia não apenas o adolescente diagnosticado com TDAH, mas também a família, os professores e os colegas, que percebem que ele tem condições de cuidar de si e de realizar tudo o que desejar.

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