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Meditar com as crianças

Num belo dia, quando saí do banho, encontrei minha filha sentada, quietinha, na minha cama, com as pernas cruzadas, os braços ao longo do corpo, as mãos apoiadas nos joelhos. Ao me ver, simplesmente disse: — Mãe, eu também sei meditar. Eu “ovo” o silêncio.

Meu coração se encheu de alegria. Ela tinha entendido. E criança… medita? Ao longo dos anos, meus filhos foram, aos poucos, se aproximando da prática. E a dúvida que eu tinha inicialmente — como incluir as crianças na prática? — evoluiu para: será que as crianças conseguem mesmo meditar? Aproximar-se é uma coisa, mas meditar… Será que não era pedir muito para alguém com pouco mais de um metro?

Na busca por informações a respeito desse tema, o livro “Meditação em Ação para Crianças”, de Susan Kaiser Greenland, foi, ao mesmo tempo, uma resposta e uma grande fonte de inspiração. Como precursora no assunto, Susan adaptou para o universo infantil as práticas que havia aprendido ao meditar inicialmente com seus filhos e, mais tarde, em grupos, clubes e escolas. Ela observou nas crianças os mesmos benefícios que a meditação traz aos adultos.

Meditar com os pequenos tem suas particularidades e, como diz Susan, a chave para despertar o interesse é manter a prática breve, simples e divertida. A seguir, sugestões de práticas — atenção plena à respiração, atenção plena ao corpo e bondade amorosa — pelas quais percebemos bastante gosto e interesse nas crianças.

  1. Meditação da borboleta: começamos dizendo aos pequenos que as borboletas gostam muito de sentir a respiração das crianças. Em seguida, convidamos a imaginar uma borboletinha pousando no nosso nariz, ela só quer sentir nossa respiração! Mas as borboletas se assustam facilmente, então temos que ficar com o corpo tranqüilo e relaxado, só respirando, imaginando que estamos ajudando a borboletinha a se acalmar. Depois de um tempinho, que pode ser de 30 a 40 segundos, ela pode voar para o peito, a barriga e outras partes do corpo, de acordo com interesse da criança.
  2. Meditação da lagarta: antes de ser borboleta, nossa amiga imaginária foi uma lagarta. Com a mão esquerda virada com a palma para cima, colocamos o indicador da mão direta no centro da palma. Nosso dedo indicador direito é a lagarta e ela vai caminhar até a ponta de cada um dos dedos da mão esquerda inspirando, e retornar ao centro expirando. Orientamos a criança a prestar muita atenção nos movimentos da “lagarta”, nas sensações que isso traz e em sua respiração.
  3. História da princesinha dócil e bondosa: em seu livro, Susan conta a história de uma princesinha de um reino distante, que vai para a Academia da Sabedoria. Chegando lá, seus amigos e professores começam a ficar preocupados: a princesinha parecia não se interessar por nada, passava o dia “viajando”. Como uma forma de fazê-la estudar, os mestres da academia convidaram-na a dar uma aula aos alunos. Mas nem assim a princesinha estudou. Quando chegou o dia, a princesinha calmamente subiu ao trono designado aos professores e contou aos presentes sobre a promessa que tinha feito a si mesma de ajudar a todos que cruzassem seu caminho. Contou que queria ser um barco para ajudar seus amigos a cruzarem rios caudalosos, uma cama macia e quentinha para que as pessoas pudessem deitar quando se sentissem cansadas, uma lanterna para aqueles que têm medo do escuro, um médico para curar os doentes e uma lâmpada mágica que realiza desejos. Depois de ouvir essa história, convidamos as crianças a fazer como a princesinha e enviarem seus próprios pensamentos positivos às pessoas da família, amigos e animaizinhos queridos.

Quando pergunto às crianças, ao final dessas práticas, como estão se sentindo, as respostas geralmente ficam em torno de: calmo, legal, “de boa”. Não é uma ótima coisa que cada criança aprenda a acessar, por si mesma, este “sentir-se de boa”? Eu acredito que sim!

*Texto originalmente publicado na Revista Bodisatva

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