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Mãe medita?

Depois de alguns anos de prática, comecei a me questionar se seria possível incluir meus filhos, trazê-los para mais perto deste “momento em que a mamãe vai para o quarto, fecha a porta e pede que a gente não grite muito”. E como você já deve estar imaginando, o “não gritar muito” nem sempre é respeitado. Crianças não deixam de serem crianças porque os pais meditam. E, confesso, é fácil vê-los como um obstáculo à prática.

Em várias ocasiões, me vi lidando com a frustração de ter os planos de meditar minados, direta ou indiretamente, por causa das crianças. Justo naquela meia hora da agenda, que estava tão lindamente reservada para a prática, seu filho aparece com uma pergunta para a qual você não faz a menor ideia de resposta. Mas é lição de casa, e é para amanhã. Ok, mamãe te ajuda a pesquisar na internet. E lá se foi aquela meia hora, juntamente com a possibilidade de meditar naquele dia. Mas a gente não desiste. Tomei a decisão de que, se não fosse possível durante o dia, a meditação aconteceria logo depois de os pequenos irem para a cama. Parece uma ótima solução, não?

Seria, se eu não tivesse passado o dia inteiro para lá e para cá, tentando dar conta das coisas da casa, do trabalho, de levar um filho para um compromisso, o outro para o dentista, e não me esquecer de, na volta, passar na farmácia, porque faz três dias que a pasta de dente acabou. Nessas circunstâncias, quando sento para meditar já é tarde, o cansaço é grande, e muitas vezes não sei se estou meditando, viajando, ou simplesmente dormindo em uma nova posição — a de lótus, neste caso! (risos).

O bonito é ver que, com o tempo, as coisas foram, sim, se acomodando. Não porque as crianças deixaram de fazer bagunça, mas porque fui abrindo mão do que considerava “a forma ideal de meditar” para abraçar “a forma possível de meditar”.

A forma possível de meditar inclui perceber os filhos abrindo a porta do quarto para espiar o que estou fazendo, levá-los junto para participar de algumas horinhas de um retiro urbano, além de explicar que, em outras ocasiões, não vão ver a mamãe por uns dias, porque ela estará num retiro em outra cidade. Está nesse pacote também introduzir o assunto e responder, com paciência, todas as dúvidas e curiosidades que surgirem, desde: “quem inventou a meditação?” até “se seu nariz estiver escorrendo, você vai se mexer para limpar ou vai deixar a meleca pingar?”.

Num belo dia, quando saí do banho, encontrei minha filha sentada, quietinha, na minha cama, com as pernas cruzadas, os braços ao longo do corpo, as mãos apoiadas nos joelhos. Ao me ver, simplesmente disse: — Mãe, eu também sei meditar. Eu “ovo” o silêncio.

Meu coração se encheu de alegria. Ela tinha entendido.

*Texto publicado na Revista Bodisatva

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