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Conexão: você já testou a sua?

Desde março de 2020, provavelmente você já ouviu ou fez a seguinte pergunta: todos testaram suas conexões? Quando a vida social tornou-se virtual, trabalho, escola, confraternizações e reuniões em geral mudaram radicalmente e passaram a depender de uma internet rápida e eficiente. O que conhecíamos antes deu lugar a novas maneiras de nos relacionarmos. 2021 chega com um novo desafio a ser transposto: a incerteza do futuro próximo, diante das questões sobre vacinação no setor de educação, do ensino híbrido que muitas escolas têm implantado, da insegurança que muitos pais sentem ao terem de decidir sobre enviar seus filhos à escola ou não: um impasse que afeta tanto os pequenos quanto os mais velhos. Por isso, além de testar a conexão de internet, é fundamental testar a nossa conexão com o outro nesse novo ambiente e entender se a interlocução, a compreensão e a relação entre os seres humanos que estão naquele ambiente virtual se estabelece de maneira autêntica.

O desafio para educadores foi imenso, assim como para estudantes das mais variadas idades. Mas, para que esse novo formato seja o mais confortável possível, não basta conectar-se com o outro. É preciso estar em conexão consigo mesmo,  entender-se melhor para só então abrir uma porta de entendimento para o outro; suas dificuldades e angústias.

Separamos algumas formas de estabelecer uma melhor conexão, consigo mesmo(a) e com os estudantes:

  • Estar presente nunca foi tão vital, já que não temos outros aspectos que antes nos ajudavam a manter o foco. Alterações no tom de voz, gestos, linguagem corporal e olhares são menos notáveis diante das câmeras do que eram presencialmente. Por isso, antes de começar, professores precisam estar atentos a si mesmos, para que estejam presentes durante as atividades online com seus alunos. Uma série curta de respirações profundas, momentos antes de ligar a câmera, pode ajudar a melhorar o foco e a atenção.
  • Já durante o encontro virtual, uma dica interessante é manter a câmera o mais próxima possível dos olhos, para aumentar a sensação de contato visual com seus alunos. Isso é especialmente importante quando se trata das atividades de mindfulness.
  • Ter mais consciência e clareza sobre o tom de voz adotado e gestual durante as aulas é, no ambiente online, ainda mais importante que no presencial. Esteja atento se o que deseja é o que, de fato, suas ações estão mostrando: se é preciso acalmar ou energizar os alunos, se é preciso dissipar a tensão do ar ou respeitar o momento de compartilhar inseguranças ou angústias. Tome consciência do que é necessário no momento e adapte movimentos e tom de voz.

Estratégias úteis

Para começar as atividades, um aquecimento é sempre bem-vindo. Solicitar que eles compartilhem a maneira como se sentem naquele momento é uma boa ideia. Para os pequenos, fazer isso por meio do jogo dos objetos pode trazer ideias interessantes para serem usados ao longo do encontro. Funciona assim: peça que cada um busque, naquele momento, um objeto brilhante, divertido, ou aconchegante e, depois, compartilhe a razão de ter trazido aquele objeto para o grupo. A atividade de movimentar-se, ainda que tão brevemente, renova a energia e cada objeto tem um significado próprio que pode ser usado ao longo do encontro.

Oferecer aos alunos um ambiente seguro é fundamental. Neste momento em que muitas escolas adotam o ensino híbrido e que ainda há muita insegurança sobre o que vai acontecer mesmo num futuro próximo, qualquer estabilidade ajuda a diminuir a ansiedade. Por isso, é bastante útil apresentar uma agenda de tudo o que está proposto naquele encontro, de todas as atividades. Assim, os alunos saberão o que esperar.

Estabelecer combinados é outra dica importante. As regras, mesmo que simples, ajudam a manter o ambiente mais sereno e amistoso. E quebre o gelo sempre que possível, usando humor, música, jogos breves… enfim, use a criatividade, mas sempre com autenticidade.

Praticando mindfulness no ambiente virtual

E se autenticidade é importante para que professores de matérias “tradicionais” se relacionem com os alunos, para professores de disciplinas como mindfulness, a relevância é ainda maior. Afinal, é fundamental criar um relacionamento de confiança com os alunos, compartilhar experiências e estar aberto a ouvi-los.  “Alunos percebem claramente quando algo não é genuíno”, afirma Dani Degani, fundadora da MindKids.

Ela conta que, em sua experiência ministrando aulas online tomou a decisão de não forçar os alunos a abrirem a câmera. “Eles já estão passando por um momento desafiador, escolhi deixá-los à vontade para abrir ou não a câmera”, considera. “E o interessante foi que se sentiram seguros para abrirem-se em aspectos muito pessoais, mesmo no online, como pude perceber nos feedbacks dos alunos”

“Teve um dia que estava muito preocupado em relação a trabalho, provas, notas da escola e me veio na cabeça de fazer um mindfulness sozinho para ver se me acalmava e realmente funcionou, foi algo incrível” afirma um aluno alunos do Ensino Médio do Colégio Harmonia sobre as aulas de mindfulness ministradas no segundo semestre de 2020.

Dani passou a usar algumas ferramentas próprias do ambiente online para enriquecer os encontros com os alunos: ela incentiva o uso dos chats para que os estudantes forneçam feedback sobre o que estão achando da aula, sobre como estão se sentindo, seus desejos e dificuldades. Além disso, para dar um tom mais lúdico, ela também faz algumas perguntas para testar se os alunos estão atentos à aula e pede que eles respondam apenas com emojis. Esse pequeno exercício criativo muda a dinâmica da aula. Em outros momentos, ela usa ferramentas de quiz, para tornar a experiência mais dinâmica. “O Kahoot é uma opção interessante”. Ela ainda usa vídeos curtos durante as atividades.

[Gostei da] aula de quiz. Descobri coisas que eu não sabia ou tinha um pensamento não formado ainda sobre o assunto. Com certeza a aula de emoções, não deixar as emoções e sentimentos ruins tomarem conta sobre nós. Essa foi uma das coisas mais surpreendentes e interessantes das aulas, pois nunca pensei que fosse possível fazer isso, afirma outro aluno que preencheu a pesquisa, segundo a qual 80% dos estudantes acreditam que a prática os ajudou a sentirem-se melhor neste período.

Com a pandemia, para alunos dos últimos anos do Ensino Médio, a pressão já esperada do vestibular somou-se, em 2020, à pressão imposta pelas incertezas da pandemia. E, nesse sentindo, a prática de mindfulness foi de grande ajuda também. Em momentos de estresse ou desespero desencadeados pela pressão de vestibulares ou pelas situações do distanciamento social, seções curtas de mindfulness me ajudam a me acalmar e pensar de forma mais clara, sem interferências exageradas de emoções momentâneas.

O que este momento desafiador pôde ensinar foi que, juntos, os esforços de alunos e professores conseguiram criar um ambiente que, se não era o ideal e o mais confortável, também passou longe de ser inóspito, como se poderia crer em um primeiro momento. Na opinião de Dani, com tantas ferramentas disponíveis, o online não tira a profundidade das práticas de mindfulness. Esta é apenas uma experiência diferente da presencial. E, se nós professores e alunos estivermos realmente atentos ao presente, poderemos tirar proveito dessa experiência e enxergarmos novas maneiras de encarar o mundo.

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