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Susan Kaiser Greenland fala à comunidade MindKids

Ela esteve no evento “ABC do Mindfulness para Crianças e Adolescentes”

Em outubro, a MindKids promoveu o evento online “ABC da Meditação para Crianças e Adolescentes”, que teve, entre seus convidados, a escritora norte-americana Susan Kaiser Greenland, que há cerca de 25 anos é instrutora de Mindfulness e um dos mais importantes nomes no assunto. Foi Susan quem criou a Inner Kids Foudation e escreveu o livro “Mindful Child”, que colocou as técnicas de Mindfulness à disposição do uso de crianças e adolescentes. 

Neste texto, você vai tomar contato com os principais pontos que ela abordou em sua apresentação. Confira!

 

ABC do Mindfulness

Em português, o ABC da meditação é traduzido por “Atenção, Bem-estar e Compaixão. Eu gosto muito do fato de que a palavra equilíbrio tenha sido traduzido por bem-estar”.

A prática do mindfulness em contextos educativos abre um mundo de possibilidades. Torna o ambiente propício ao aprendizado, à convivência harmônica e à escuta empática. Meditar muda a forma como nos relacionamos com o mundo, com as frustrações, com as pessoas. 

Programa Inner Kids

O Programa Inner Kids propõe-se a ensinar atenção plena para crianças e pais com base em quatro qualidades principais: diversão, atenção, equilíbrio e compaixão. Essas qualidades nos permitem investigar o mundo interno com o suporte da meditação e fazem com que treinemos habilidades de vida, para reduzir estresse e conflitos diversos.  Afinal, todos somos parte de um universo interconectado. 

A proposta do programa é trabalhar de forma sistemática para levar crianças a aprenderem a regular suas próprias emoções e lidarem com o estresse e situações difíceis. Tudo por meio de atividades divertidas e alegres. São habilidades para fazer a gestão do estresse e das emoções e lidar com coisas difíceis

Quando, além de crianças e adolescentes, pais e mães também meditam, criam um efeito de onda, porque a meditação nos ajuda a sermos mais pacientes, menos reativos e com melhor humor. Isso impacta o que está ao nosso redor.

Habilidades e métodos

O Programa está embasado nas habilidades da vida. E quais são elas? Focar, conectar-se, acalmar-se, ver, reestruturar, cuidar. O foco e a atenção são fundamentais para praticar as outras habilidades. 

O Programa Inner Kids é composto de uma sequência que usa métodos científicos de brincar, praticar, compartilhar e aplicar. O brincar abre a qualidade expansiva de mente. Conforme realizamos a prática, temos de compartilhar com as crianças, para conhecer o ponto de vista delas. O momento de reflexão sobre a prática, de falar sobre as experiências é importante para entender se o Mindfulness faz sentido para as crianças. E também queremos aplicar, para que elas aprendam e utilizem as práticas nas suas próprias vidas cotidianas. E, isso é fato: as crianças aplicam as atividades nas suas casas, nas escolas, e os pais relatam que quando as crianças levam Mindfulness para casa, isso impacta positivamente no humor dos pais. 

 

Atenção e estresse

A capacidade de atenção está ligada às habilidades de se acalmar e focar. É autorregulatória e ajudam a lidar com o estresse. Afinal, as respostas de estresse são normais e servem, evolutivamente, para nos mantermos seguros. Essas respostas oferecem uma informação muito valiosa sobre o mundo interno e externo. E, a partir disso, temos 3 opções: lutar, fugir ou congelar. O “congelar” é uma reação comum aos adolescentes que assumem uma atitude de “deixar para lá”, não se importar com algo. E também é uma reação baseada em estresse. 

O estresse libera hormônios, faz nosso coração bater mais rápido, a energia fica concentrada no corpo, e por isso nossa capacidade de lidar racionalmente com algo fica diminuída. É uma reação automática. Quando estamos em perigo físico, esse estresse nos salva. Mas, se a resposta de estresse durar muito tempo e for muito frequente, sem perigos reais, isso leva à exaustão. Por isso, precisamos buscar o nível justo de estresse, para, por um lado não ficar congelado; e, por outro, não ficar reativo ao extremo. 

Nesse contexto, a atenção plena pode ajudar a encontrar o equilíbrio. Quando o corpo fica estressado, a mente fica fechada. Quando o corpo está relaxado, a mente se abre. O que fazemos com as crianças é fazê-las prestar atenção ao que está acontecendo com elas e ao seu redor. Perceber se o corpo está tenso ou relaxado. A ideia é trazer consciência para as sensações de nossos corpos. 

A meditação de atenção plena é meditação para o mundo real. Ela permite sentir essa paz mesmo quando tudo está acontecendo ao redor de maneira caótica. Sabemos que estamos tensos e estressados, mas esse processo permite criar uma capacidade de lidar com as dificuldades. 

A meditação é o guarda-chuva num dia de chuva, que vai nos manter secos, apesar das coisas que acontecem na nossa vida sobre as quais não temos controle. Mas, se conseguimos nos manter calmos mesmo quando o que está ao nosso redor não está calmo, já será um ganho. 

A experiência de atenção plena não é apenas um conceito, uma ideia. É uma experiência que nos oferece a compreensão de como avançar na vida. Podemos treinar essas aptidões para redução de estresse; habilidades de se focar, cuidar, sempre adicionando a ideia de bondade, generosidade e gentileza. E isso para crianças até antes da idade escolar. Essa é uma habilidade para ser usada no dia a dia. 

 

Agitar e aquietar

Quando falamos de atenção plena para crianças, usamos a imagem das bolinhas de Natal que têm glitter dentro. Quando você agita, não consegue ver com clareza o objeto dentro da bola, mas quando ela se aquieta, o glitter começa a baixar, como quando aquietamos as nossas emoções podemos ver com mais clareza nossos pensamentos.  E assim, saímos do modo fugir, lutar ou congelar e entramos no modo de bem-estar. 

O bem-estar, o equilíbrio acontecem quando nós focamos. O foco nos ajuda a ver. E quando praticamos atenção plena, vemos o que está acontecendo naquele momento exato. É um espelho que reflete nosso mundo interno e externo naquele exato momento. Percebemos os pensamentos como pensamentos; emoções como emoções e isso nos ajuda a desenvolver o bem-estar e o equilíbrio. Desenvolvemos uma maneira de olhar para o mundo através da meditação. Ficamos mais familiarizados com pensamentos e emoções. Mas, pensar sobre nossos pensamentos não é necessariamente produtivo. O que fazemos não é empurrá-los para longe, porque eles vão voltar. 

A melhor forma de lidar com pensamentos é permitir que sejam como eles são. Porque se a gente resistir, os pensamentos persistem. A ideia não é livrar-se dos pensamentos ou mudá-los, mas ficar confortável com a atividade da nossa mente e do nosso corpo. 

Compaixão e conexão

A compaixão está ligada às habilidades de cuidar e de conectar-se. Queremos ensinar as crianças a serem gentis consigo mesmas e com os outros. E, como precisamos deixar o pensamento ir embora, podemos fazer isso de forma lúdica. Podemos ensinar nossas crianças a imaginarem seu medo dentro de uma bolha cor de rosa. Então, imaginar essa bolha indo embora, desejando tudo de bom para ela, dizendo tchau para ela. Com compaixão e bondade, desejando o bem para nossos medos.  

É importante dizer que não é porque fazemos práticas de meditação que tudo vai sair perfeito. Todos teremos problemas, mas o importante, quando isso acontece, é saber que podemos fazer uma reparação. Se cometemos um erro, reconheçamos o erro. Esse é o aprendizado. Quando nos autorregulamos, temos que expressar como podemos reparar nosso erro. Notar o erro e dar a volta por cima é uma das melhores maneiras de ensinar algo para alguém. 

Isso pode transformar o mundo, nossa comunidade, nosso planeta. Quanto mais foco, maior a capacidade regulatória. Assim podemos ver o que acontece ao nosso redor de maneira clara e nos conectarmos aos outros de maneira cuidadosa e com compaixão. 

 

Práticas sugeridas

No evento, Susan sugeriu quatro práticas simples que podem ser usadas com crianças. Acompanhe e anote, para usar sempre que desejar!

  1. Tremer. Esta é uma prática ótima para crianças que são agitadas, porque atenção plena não é apenas ficar parado. Tremer é um jeito de liberar essa tensão. Levante os braços, trema por cinco segundos. Pare, coloque as mãos sobre o estômago, respire fundo. Sinta a sua respiração, baixe seus ombros e repita. Libere a energia e depois, assente, volte para o centro. Fazer isso 3 vezes é o suficiente para se sentir melhor. 
  2. Prática para controlar ansiedade. A ideia é mover a atenção do que você está pensando para seu corpo, fazendo escaneamento corporal. Para diminuir a ansiedade, também é possível fazer atividades relacionais, criando pequenos grupos para conversar sobre a ansiedade que é comum entre eles. 
  3. Uma história sobre não termos controle do que acontece ao nosso redor. Era uma vez um fazendeiro e seu filho. Um dia, chega na fazenda um cavalo lindo, enorme, de raça pura. O vizinho diz que eles têm sorte porque agora têm um cavalo. E o fazendeiro responde: “vamos ver se tenho sorte”. No dia seguinte, o filho sai com o cavalo, sofre uma queda e quebra a perna. O vizinho se assusta e pergunta “como vai ser agora?” e o fazendeiro responde: “vamos ver”. No dia seguinte, o exército convoca jovens da idade do filho do fazendeiro para ir para uma guerra, mas o filho não pode porque está com a perna quebrada. O vizinho diz: “nossa, como você tem sorte!”. E o fazendeiro responde: “vamos ver”. Moral da história: mesmo quando a vida parece terrível e não vai como gostaríamos, não sabemos o que vai acontecer depois. Isso é muito útil para ser ensinado a crianças pequenas, para que elas possam aceitar melhor o que lhes acontece e o que elas não podem mudar. 
  4. Inspirar e expirar. Um exercício simples para crianças, mesmo pequenas, é instrui-las a inspirar dizendo “inspirando” e expirar dizendo “expirando”. Assim focamos em uma ideia e em uma palavra. Isso assenta a mente e o corpo. Uma variação é inspirar contando até 4, segurar e expirar contando até 8. Isso acalma o sistema nervoso central e o nervo vago. 

E então, quais assuntos abordados por Susan Kaiser Greenland chamou mais sua atenção? Qual desses aprendizados você pretende levar para a sala de aula? Compartilhe conosco!

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