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Olhar para o outro e olhar para si

“Quando eu tinha a sua idade…”. Se você já é adulto, talvez não se lembre do quanto essa frase tinha a capacidade de irritar você quando era adolescente.  Normalmente, é assim que começam as “conversas sérias” dos adultos com os adolescentes sobre responsabilidade, disciplina e realização de tarefas.  Mas, se nós tentarmos “nos colocar no lugar do outro”, rapidamente vamos nos lembrar do quanto atitudes como essa na verdade nos isolavam dos adultos.

“Colocar-se no lugar do outro”, aliás, talvez seja a forma mais simples de explicar o que é empatia. E se esse é um exercício complexo para muitos adultos, certamente também o é para adolescentes. Entretanto, ainda assim, é possível estimular e fazer a empatia florescer em qualquer idade.

Uma fase delicada

A verdade é que a adolescência é uma fase complexa, que envolve mudanças hormonais, físicas e mentais rápidas e profundas. E, por isso, essas conversas sérias, sobre assuntos importantes, muitas vezes irritam os mais jovens. É como se houvesse um excesso, com o qual eles têm de lidar: excesso de mudanças, excesso de responsabilidades, excesso de emoções à flor da pele.   Para termos uma amplitude desse tema, basta dizer que uma pesquisa da American Psychological Association descobriu que adolescentes relatam sentirem-se mais estressados que adultos e que isso afeta sua saúde. Entretanto, apesar dessa condição, nem sempre eles aceitam ajuda (até porque, algumas vezes, querem evitar esse tom professoral que muitas vezes os adultos têm). Tentar resolver os problemas no lugar dos adolescentes também não parece ser uma boa estratégia, pois o que os adolescentes realmente precisam é aprender a desenvolver suas próprias estratégias e habilidades.

Pensar no outro também como ser humano, com dores, problemas e dúvidas, além de pensar em si mesmo com gentileza, ajuda a diminuir a carga mental e física, à qual a sociedade nos impele quando nos sentimos obrigados a estarmos sempre “bem” – uma “obrigação” que pesa ainda mais na adolescência, fase em que a opinião do outro é demasiadamente importante.

Por isso, o “olhar para o outro” e entender os que estão ao nosso redor pode ajudar a aliviar as coisas. E é aí que entra a empatia, em especial a empatia cognitiva. A empatia cognitiva permite-nos tentar entender a perspectiva do outro e como o outro entende o mundo, mesmo que seus sentimentos sejam diferentes dos nossos. Além disso, ajuda a regular emoções, melhorar habilidades de escuta e fortalecer a capacidade de tolerar conflitos, dentro e fora de casa.

Isso sem falar, da habilidade de perceber que, por mais estressante que seja uma situação, ela não vai durar para sempre. Em determinadas situações, adolescentes tendem a agir como se fosse o fim do mundo. Quando são capazes de cultivar estados mentais mais positivos através de práticas de empatia e compaixão, os adolescentes podem desenvolver um botão de pausa emocional, que os lembra de que mesmo quando sentimentos intensos assumem o controle, as circunstâncias estressantes acontecem com todos, são temporárias e vão passar. Isso melhora sua própria qualidade de vida e, consequentemente, as vidas das pessoas com quem convivem.

A MindKids elaborou um guia, em formato de e-book, de como estimular a Empatia e outras habilidades relacionadas, como Compaixão e Gratidão, em adolescentes. Para acessar o material, clique no link: https://conteudo.mindkids.net/estimulando-a-empatia-em-criancas-e-adolescentes

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