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O que você sente quando lê a expressão “volta às aulas presenciais”?

É hora de pensar em recomeço. Apesar de ainda não termos vacina contra a Covid-19, já há um forte movimento para que as escolas voltem às atividades presenciais, ou de forma total ou híbrida – parcialmente presencial e parcialmente on-line.  Neste contexto há muitos fatores a serem considerados: o novo coronavírus ainda é um risco real, mas, por outro lado, o contato social é importante para o desenvolvimento sócio-emocional. A única certeza que temos é que a volta às aulas não será uma volta ao cotidiano de antes da pandemia. Medidas sanitárias precisarão ser tomadas, uma nova adaptação ao ambiente escolar será necessária, o acolhimento será um ponto central para lidar com perdas, medos, inseguranças e expectativas: estaremos todos (professores, alunos, famílias) seguros no ambiente escolar? Como será essa readaptação?

Para tratar de tudo isso, o evento on-line “Cuidando do emocional de professores e alunos na volta às aulas” reuniu especialistas para falar do tema. Além do mediador, Wellington Cruz, presidente do Instituto Significare e da professora Márcia Ribeiro, do Instituto Federal do Tocantins, estavam no evento Daniela Degani, fundadora da MindKids e Mônica Padroni, fundadora e diretora da Escola Projeto Vida. A seguir, você acompanha os principais aspectos debatidos no evento:

Protocolo com mais colo

“Eu defino 2020 como um ano in: impensável, de incertezas, inseguranças e de investigações. Fomos convocados a pensar nesses ins”, afirma Mônica Padroni. Para ela, estas investigações acontecem durante o caminho que cada escola e professor tem trilhado para superar as dificuldades que a pandemia impôs. Se a escola é um lugar de encontro e troca, como isso aconteceria pela tela do computador? O fato é que aconteceu, que encontramos formas para que os professores continuassem presentes na vida dos alunos e que eles pudessem também trocar entre si. “Não podia faltar espaço para as linguagens que nos salvam: literatura e arte. Para cuidar das crianças, precisávamos cuidar dos adultos. Pais e professores que também estão sendo desafiados diariamente: a preparar aulas online, a acompanhar as aulas virtuais, equilibrando home office com a vida em família. 88% dos professores brasileiros nunca tinham tido contato com aula remota. Isso mostra a superação que o ensino remoto representou”, lembra Mônica.

A volta às aulas presenciais tem um peso importante, não apenas do ponto de vista de conteúdo (como podem pensar alguns pais), mas também sob o aspecto de relacionamento. Tão importantes quanto os protocolos de prevenção e higiene serão os modelos pedagógicos de acolhimento. A escuta ativa de cada aluno, o espaço para dar vazão a sentimentos, falar do que sente e ouvir o que o outro tem a dizer sobre o que ele também sente serão importantes na retomada. “O protocolo tem que ter mais colo neste momento”, diz Mônica.

Mindfulness na retomada

Durante o período de aulas remotas, as famílias passaram a ter um papel ainda mais importante no desenvolvimento emocional das crianças. Muitas vezes, as escolas que já tinham programas de mindfulness em suas grades curriculares puderam incluir as famílias na atividade, criando novos laços, possibilidades de troca afetiva e de diálogo entre pais e filhos.

Na retomada, tanto alunos quanto professores precisarão ser acolhidos em suas inseguranças. Da incerteza sobre a efetividade dos protocolos de higiene, à segurança de alunos, professores e famílias, até as novas formas de relacionamento (as brincadeiras das crianças no intervalo; as paqueras, no caso dos mais velhos), tudo será novo.

Por outro lado, a incerteza traz possibilidades: são muitos os aprendizados emocionais e tecnológicos deste período.

“Ao dizer a expressão ‘voltar às aulas’, reações e emoções surgem no corpo. Como garantir a segurança minha e dos alunos, a saúde das pessoas com quem tenho contato? Brota alegria em saber que vamos voltar a ver os alunos. É uma montanha-russa que gera essas emoções. É com isso que vamos ter que lidar agora e adiante. Meditação é forma de lidar melhor com isso”, explica Daniela Degani, da MindKids.

Ela lembra que a situação pela qual estamos passando não foi uma escolha, mas uma circunstância. Para ela, são três as palavras que definem este momento: incerteza, presença e amorosidade.

E que há uma maneira de lidar com isso: equilibrando a incerteza com aquilo que consideramos certo e verdadeiro para cada um de nós. “É ser sincero consigo mesmo e perguntar-se: ‘Em meio a tantas emoções aflitivas, em que eu confio?’”. Se há uma incerteza, pode-se pensar no que, naquele momento presente, nos traz confiança. Não antecipar situações e agir com amorosidade para estabelecer novas relações e confiança.   “Teremos que expressar amorosidade nas palavras que escolhemos, nos olhos, no tom de voz. As expressões faciais estarão diferentes, porque estaremos usando máscara”, diz. Por isso, será importante pensar no que, de fato, está sob nosso controle e o que não está. “Equilibrar incerteza com algo que é certo, apoiar-me no que eu confio, na capacidade de cuidado do outro e de si, para ter essa capacidade de expansão da amorosidade, que pode ser treinada com mindfulness”, afirma.

Ela sugere a prática do PRO (que é uma forma como os alunos chamam os professores: “pro”), que consiste em Parar, respirar, Observar e só depois agir. Esta é uma forma de não aderir ao impulso reativo e a compreender melhor o contexto antes de tomar uma ação.  Como lembra Mônica, “Coragem é ingrediente fundamental para este momento”.

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