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Dando uma forcinha para a alegria

O que faz você se sentir alegre? Receber um telefonema de um amigo querido com quem não falava há muito tempo, ser surpreendido com uma homenagem dos alunos no dia dos professores ou ganhar um elogio?

Muitos de nós ficaríamos muito felizes nessas situações. Mas pode ser que nem todos os dias tenhamos acontecimentos assim. Por isso, pode ser uma boa estratégia cultivar a alegria como um estado de espírito, de maneira que ela seja mais duradoura. Uma alegria que se traduza em um estado de tranquilidade, paz e encantamento com o mundo que não necessariamente precisa de algo “externo” para existir. Sob este aspecto, essa alegria “que vem de dentro” e que traz paz tem uma vantagem em relação àquela de que vem de fora: ela pode ser autoproduzida. Mas, como podemos “dar uma forcinha” para a alegria?

A neurociência se debruça sobre esse assunto para entender como o estado de alegria pode nos afetar positivamente e algumas dessas descobertas podem nos ajudar a levar essa alegria mais duradoura para o cotidiano de nossas vidas. Um exemplo é esse texto do psicólogo Rick Hanson, autor de O Cérebro de Buda: Neurociência Prática da Alegria, Amor e Sabedoria, em que lista alguns fatos sobre o cérebro que podem ajudar a inclinar mente à alegria:

Fixe o positivo

Algum dia desses você já acordou triste sem motivo aparente? E o contrário: você se lembra de um dia em que acordou feliz sem saber porquê?  Se você respondeu “sim” à primeira pergunta e “não” à segunda, não se espante. Isso tem uma razão. O cérebro registra mais facilmente eventos “negativos” que “positivos”.  A origem disso é a nossa própria condição humana – antes mesmo da humanidade dominar o fogo, éramos frágeis e precisávamos nos atentar a quaisquer sinais de perigo para nos mantermos vivos. Ter consciência disso é o primeiro passo para podermos olhar mais atentamente para as experiências positivas, fixando-as e “ensinando” nosso cérebro a registrar este tipo de experiência.

Treine a atenção

A prática de mindfulness nos ajuda a treinar a atenção para aspectos como a respiração, o movimento e o corpo. Então, por que não usar essa técnica também para prestar mais atenção à alegria? A atenção treinada e consciente ilumina fatores positivos, mesmo que sejam sutis. As mínimas nuances de alegria podem – e devem – ser consideradas. Um dia de sol, tomar um café quentinho, vestir uma roupa limpa. Podemos prestar mais atenção a essas pequenas manifestações e, além de descobri-las, tentar prolongá-las.

Estendendo a alegria

Mergulhar no positivo parece complicado, mas é simples. Basta permitir que a alegria permaneça um pouco mais, que alonguemos essa sensação. Quando algo bom acontece, podemos fazer com que esse algo “renda” mais: contando para alguém o que aconteceu, parando um momento para aproveitar aquela sensação boa, recordando em outros momentos daquela situação alegre. É como uma fotografia: quanto melhor a definição de uma imagem, melhor podemos apreciá-la. Se pudermos treinar a “melhorar a definição” das fotografias dos momentos alegres em nossa vida, poderemos ter uma chave para sentirmos os benefícios dessa boa sensação mais e mais vezes, pois ensinaremos nosso cérebro a aproveitar a alegria em benefício próprio.

Alegria faz bem

As experiências positivas têm impacto tanto no corpo quanto na mente. A alegria faz bem, ajuda a reduzir as consequências do estresse no organismo, protege a saúde cardíaca, contrabalanceia os traumas do passado e é uma espécie de “antídoto” contra os estados depressivos e melancólicos, porque ajuda o organismo a produzir neurotransmissores como a dopamina e a serotonina. Então, se pudermos seguir os passos anteriores, poderemos nos sentir bem mais vezes e por mais tempo.

Acredite, esta é uma experiência que pode mudar o cérebro. E, quanto mais ele mudar, mais vai perceber a experiência de forma diferente, alimentando um ciclo virtuoso que, aos poucos, nos fará mais alegres de maneira genuína. Vamos juntos?

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