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Mindfulness e a Educação à Distância

Mindfulness e a Educação à Distância

A pandemia de Covid-19 impôs uma nova realidade, que para a maioria dos brasileiros era desconhecida: o ensino em casa. Apesar do EAD ter-se tornado uma prática bastante comum há alguns anos, esse modelo educacional, no Brasil, é utilizado especialmente em cursos de graduação e pós-graduação. Já as crianças e os adolescentes dos Ensinos Fundamental e Médio são ensinados presencialmente, pois a educação domiciliar não é permitida no país.  

Entretanto, diante da necessidade de distanciamento social e do fechamento das escolas em grande parte das cidades brasileiras em março, foi preciso repensar o modelo presencial – e fazê-lo com agilidade, para que não se perdesse o ano letivo.  A Medida Provisória 934 regulamentou “normas excepcionais” de ensino válidas apenas durante a pandemia, para que o ensino fundamental e médio não fosse paralisado no período. 

Com isso, a maior parte das escolas adotou plataformas e tecnologia própria para que os conteúdos pudessem ser ensinados à distância. Todas essas mudanças impactaram fortemente no ensino de disciplinas, na relação dos alunos com os colegas, professores e com o próprio conteúdo. 

O distanciamento social trouxe incertezas, inseguranças e dificuldades não apenas para as crianças, mas também para os pais. Como dar conta do novo modelo escolar? Para lidar com esses sentimentos, e também com o estresse decorrente dessa situação, mindfulness é uma ferramenta que pode ajudar – e muito. Além disso, a prática traz benefícios como calma e o aumento do foco, que é fundamental quando se está estudando em casa. Afinal, nesse ambiente é muito mais fácil dispersar para ver TV, brincar e fazer outras atividades.

Mindfulness à distância

A prática meditativa ajuda as crianças a terem mais serenidade, tornando este momento agudo um pouco menos difícil. Na Escola Integra, por exemplo, a primeira mensagem do dia no ensino à distância para os alunos é sobre meditação. A escola, que atende alunos de 2 a 12 anos de idade fez uma pesquisa de satisfação com os pais e descobriu que eles sentem diferença no comportamento das crianças quando elas praticam mindfulness. “Elas melhoram o comportamento e a concentração”, informa Paula Carvalho, coordenadora de relacionamento da escola. 

A estratégia de envolver a família nas atividades de mindfulness também acontece na Escola Projeto Vida. Lá, a MindKids encaminha propostas semanais que ficam arquivadas em um banco de dados e cada professor escolhe uma atividade para ser realizada pelo grupo de alunos. A escola – que antecipou as férias para o início de maio, como outras instituições de ensino – usou atividades de mindfulness até para celebrar o momento de encerramento. “Os alunos realizaram, junto com suas famílias, uma prática online escolhida por professores, para marcar essa pausa”, explica a professora coordenadora dos primeiros anos do Ensino Fundamental da escola, Adriana Coan.  

Além disso, a prática de mindfulness deve ser um instrumento importante para ajudar os alunos a se readaptarem quando as aulas retornarem ao modelo tradicional. Afinal, tanto para crianças menores quanto para adolescentes, será preciso retomar uma rotina que foi quebrada de forma abrupta.

 “Para crianças muito pequenas, a adaptação será gradual. Mas, mesmo para crianças maiores, readaptar será um trabalho atitudinal. Será preciso ter o foco no afetivo, no acolhimento, na adaptação ao grupo, na interação e nas situações que cada aluno viveu com sua família”, diz Talita Macedo, professora do segundo ano do Fundamental I na See-Saw. Nessa escola, a prática de mindfulness não é institucional, mas aplicada por alguns professores em sala de aula até três vezes por semana. Na modalidade de educação à distância, Talita tem usado práticas de respiração, desenhos meditativos (em livros de colorir) e outras técnicas para ter conversas sobre sensações e sentimentos. Essas atividades, feitas sem pressa e com calma, são valiosas para ajudar os alunos a superarem as dificuldades do momento.

Resultado de uma das atividades de desenho meditativo do segundo ano (Fund I) da See-Saw

No Colégio Winnicott, os alunos com dificuldade de aprendizagem recebem um tratamento bastante individualizado, o que se tornou desafiador quando as aulas deixaram de ser presenciais. “A escola aplica mindfulness em alguns grupos de alunos desde o início deste ano. Durante o período de distanciamento social, a escola tem encaminhado algumas atividades para que os alunos façam em casa juntamente com seus familiares”, afirma a diretora Lucila Moss. Para explicar como mindfulness tem contribuído no cotidiano da quarentena, ela cita como exemplo o caso de um aluno que, por meio de mindful eating agora se sente melhor:

 

Já o Colégio Harmonia promove o Clube de Prática de Mindfulness, encontros online com a participação de diversos professores. Diariamente, os alunos recebem uma prática de mindfulness para fazer em casa, como, por exemplo, fazer cartões de bondade.  “Na programação de práticas do primeiro ano, fizemos com a turma a prática de ‘Enviar pensamentos positivos’ e algumas famílias relataram que as crianças se emocionaram em casa”, diz Gabriela Arruda, professora do primeiro ano. Esse é um exemplo de como mindfulness pode ajudar inclusive a conectar pessoas que estão fisicamente distantes neste momento de isolamento. 

Para além de qualquer pesquisa, os exemplos práticos mostram que mindfulness pode ser uma excelente ferramenta para ajudar as crianças a lidar com os desafios do distanciamento social. 

Com tantos exemplos, é fácil perceber que, além dos encontros presenciais, mindfulness pode fazer parte do cotidiano escolar até mesmo no ambiente virtual. E, assim, ser uma ferramenta importante também para passar pelas situações desafiadoras que estamos vivendo neste cotidiano de distanciamento social.

Gostaria de adotar essa prática em sua escola?
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