fbpx

Se prestar atenção e manter-se focado em uma atividade é um desafio para você, não se sinta só! Embora seja uma potencialidade humana, em tempos de multitarefas e infindáveis distrações digitais, a atenção vem tornando-se um bem raro.

Mas não é por sua escassez que estar atento deixa de ser fundamental. E, ao contrário do que muitas pessoas pensam, vai além de focar em uma única atividade e desconsiderar estímulos externos que tenham a capacidade de nos interromperem. Atenção é a habilidade do cérebro em filtrar o que é relevante e atenuar os estímulos, dados ou informações que não são necessários para determinada atividade.

Nem sempre a forma de prestar atenção é a mesma. A atenção pode ser focada ou aberta  – e cada um dos dois tipos é útil em situações diferentes. Há momentos em que é preciso ter a atenção focada, que é quando o cérebro precisa estar atento a uma única atividade por um longo período de tempo. É o tipo de atenção que usamos quando estamos imersos em uma situação pontual, quando o cérebro precisa perceber os estímulos de maneira direta e eficaz. É quando, por exemplo, precisamos preparar um relatório detalhando para o final do semestre.

Já a atenção aberta consiste em manter a consciência atenta a tudo o que se passa ao redor (e não apenas um aspecto único). Este tipo de atenção é o que utilizamos no cotidiano da sala de aula: estamos atentos ao que ensinamos aos alunos, mas também àquilo que acontece ao redor e que pode influenciar o aprendizado: sons, atividades paralelas etc.

Praticantes de mindfulness aprendem com mais facilidade a modular ou refinar o nível de atenção que cada tarefa exige. Isso porque a sustentação da atenção pode ser treinada, de maneira análoga a um músculo do corpo, que se fortalece na medida em que é exercitado.Em seu livro A Revolução da Atenção, Allan Wallace afirma que a atenção pode ser uma chave para nossa mudança pessoal e ensina  como treinar a atenção, com práticas diversas. “Uma mente focada pode ajudar a trazer a fagulha da criatividade para a superfície da consciência”, escreve na obra.

Atenção na sala de aula

A mudança pessoal a que Wallace se refere passa também pelo conceito contido na frase: “Realidade é aquilo em que você presta atenção”. Se conseguirmos prestar atenção ao que realmente importa, podemos construir um ambiente (principalmente interno) mais adequado àquilo que almejamos.

Em sala de aula, isso é fundamental para que possamos ter mais harmonia e tranquilidade; para que os alunos sejam mais compreensivos uns com os outros e para que nós, professores, possamos modular nossa atenção para o que cada momento específico exige: retomar a calma no ambiente, estimular os alunos a terem foco em um conceito novo, ajudá-los a se concentrarem em uma atividade específica.

O exercício para que possamos treinar a atenção plena, quando aplicado à sala de aula, é uma ferramenta importante para o desenvolvimento socioemocional dos alunos e também para o bem estar de professores e funcionários, já que desenvolve qualidades como empatia e compaixão.

Treinar a atenção vai muito além de ser uma ferramenta prática que melhora o foco e a concentração. Treinar a atenção pode transformar cada um de nós, ajudando-nos a melhorar nosso equilíbrio emocional e a estarmos mais atentos a quem nos cerca.